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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Os problemas de escrita nas empresas que podem tornar a comunicação profissional um inferno


A comunicação é um ato diário e constante, que faz a diferença entre o sucesso e o fracasso de relações profissionais, pessoais e familiares. No entanto, muitas pessoas preferem transferir o problema ao leitor ou interlocutor, afirmando que ele não é capaz de entender a sua mensagem. Nunca param para analisar que a limitação pode estar na maneira como se expressam.
Para eliminar essa barreira comportamental rumo ao sucesso na comunicação, temos de deixar de lado a postura egoísta que registramos na infância. Ainda bebês, mesmo com muita dificuldade, limitações e erros, nossos pais e familiares conseguem nos entender, passando a falsa imagem de que é fácil sermos entendidos e não há necessidade de nos esforçarmos.
No mundo corporativo, há anos já não existe mais a figura da secretária de departamento responsável pela elaboração e revisão de comunicados, apresentações e relatórios. Na era do conhecimento e da internet, em que qualquer funcionário escreve e-mails para toda a empresa, fornecedores e clientes, e não raro escreve em nome da empresa, a exigência da comunicação eficiente em português tornou-se fundamental.
O e-mail se consolidou como uma ferramenta de comunicação corporativa, mas também é um documento que, na maioria das empresas, ficará arquivado por muito tempo, um registro de erros. Por isso, é preciso que as pessoas dediquem uma especial atenção a essa modalidade de interação.
DOMÍNIO
Por isso, a segunda e a mais importante barreira é o bom domínio do português,
que envolve:

VOCABULÁRIO - Pesquisas, como a realizada pela Johnson O'Connor Research Foundation, Paul Nation e Harvard Business School, revelam que a ascensão profissional nos Estados Unidos está diretamente ligada à quantidade de vocabulário que o profissional domina.

A quantidade mostra-se uma qualidade: quanto mais palavras houver em seu repertório, mais apto o profissional estará para desempenhar um cargo hierarquicamente superior, uma vez que sua comunicação será mais segura e desenvolta. Uma das principais competências de quem exerce posição de liderança é uma ótima comunicação.

GRAMÁTICA - É o meio pelo qual estruturamos nossos pensamentos. É o conjunto de regras que permite a relação harmônica e coerente entre as palavras.

ORTOGRAFIA - Mesmo com o corretor ortográfico, há erros que não são detectados. Não confie cegamente em corretores eletrônicos. A ortografia é um dos componentes mais desafiadores da comunicação escrita em português.

PONTUAÇÃO - Responsável pela clareza dos textos. Se não for utilizada corretamente, haverá, fatalmente, problemas de compreensão.

ACENTUAÇÃO - Erros também podem ser detectados pelo corretor, mas, além de ele não ser totalmente confiável, é necessário ter uma versão atualizada, por conta das novas regras da reforma ortográfica. Muitas delas são relacionadas a regras de acentuação.
Os erros de linguagem se enquadram em duas esferas: forma e conteúdo. O conteúdo abrange questões de qualidade do texto, como a escolha das palavras (que devem ser adequadas ao público e ao objetivo do texto), coerência, coesão, clareza e objetividade. Já a forma diz respeito à ortografia e a uma pontuação que facilite a leitura e o entendimento do texto, ou seja, que facilite a comunicação.

TOM
Na comunicação escrita, as pessoas que leem a mensagem poderão dar a entonação que quiserem. Tudo dependerá de seu humor no momento da leitura e também do relacionamento que se tem com o responsável pela redação do texto. Como não há um contato visual, não há como explicar uma frase ambígua, esclarecer dúvidas.
A imprecisão de mensagens pode gerar retrabalho, uma vez que serão necessárias várias trocas de e-mails para buscar esclarecimentos, o que pode afetar a produtividade. Sem falar em questões maiores, como prejuízos sérios para a imagem das marcas.
Mudança
As empresas estão, cada vez mais, buscando aperfeiçoar e integrar suas equipes através de treinamentos. Porém, os profissionais precisam atentar para o fato de que são eles os responsáveis por seu aprimoramento e empregabilidade. .
A língua é viva e está em constante mudança. Estudar português é um eterno desafio. Metade das suas chances de conseguir uma promoção ou de ser o escolhido em um processo seletivo está concentrada nas habilidades comunicativas que você possui, daí a importância de desenvolvê-las.
Você está buscando a excelência na comunicação? Se não estiver, aproveite o início do ano para definir quais ações colocará em prática em 2010. Boa sorte.
Planeje o que vai escrever
  • Planeje antes de sair escrevendo. A construção dos pensamentos se dá de forma inconsciente, involuntária e muito rápida. 
  • Mais importante que ser objetivo é ter objetivos. Toda reunião, apresentação, comunicado, e-mail, enfim, toda comunicação em um ambiente profissional deve ter objetivos claros a serem expressos. Para isso, é fundamental planejar cada situação, pensando quais são os pontos que devem ser essencialmente comunicados, qual é a melhor maneira de apresentá-los, quais argumentos os justificam, qual o conhecimento dos envolvidos sobre o assunto, que nível de formalidade usar. 
  • Por exemplo, uma apresentação sobre um produto deve ser  moldada de acordo com seus ouvintes: deve ser de um modo quando feita para vendedores, e de outro, quando feita para uma equipe de técnicos. Cada grupo tem seu interesse e seu foco em um assunto. Isso deve ser considerado sempre.

    ECONOMIA EXPRESSIVA
  • Use frases e parágrafos curtos. O número de mensagens que recebemos por dia é elevado e, se as suas mensagens são longas, a chance de que elas sejam lidas na íntegra é mínima. Outra técnica que facilita a leitura é transformar parte do texto em itens. 
  • Evite o uso de abreviações e muitos estrangeirismos. 
  • Evite palavras de difícil compreensão ou pouco utilizadas. Cuidado para não passar o ar de soberba. 
  • Seja direto, claro e simples e mantenha o foco no tema proposto. Não descreva todo um cenário para só no final da mensagem dizer o que é mais relevante.

    PARA NÃO REPETIR PALAVRAS
  • Revise seus textos: quando a comunicação é por escrito, seja em e-mails ou em memorandos, é preciso considerar que a linguagem escrita é bem diferente da linguagem oral. Nós não escrevemos como falamos em textos corporativos. A linguagem precisa ser mais clara e correta, pois não permite correções no momento da leitura, como ocorre com a fala. Tendo isso em mente, é fundamental ler e reler seus textos antes de enviá-los. A revisão atenta de um texto elimina grande parte dos problemas de concordância e de dupla interpretação. Cuidado também com os erros de digitação. Pense em que imagem você está passando como profissional.
INTENSIFIQUE A LEITURA
Volte a estudar. Há muitos cursos de reciclagem em português, que focam em aprimoramento em comunicação oral e escrita. Não são cursos que se preocupam em revisar regras, mas melhorar a qualidade da comunicação através da prática.
A solução para um domínio amplo de vocabulário está na leitura. Quer crescer profissionalmente? Então, leia revistas, jornais, livros de ficção, não-ficção, como as biografias. Leia textos técnicos de sua área, mas grandes clássicos também. 
Uma dica: se você acredita que falta tempo para a leitura, carregue sempre um livro. Haverá, com certeza, uma oportunidade no ônibus, no trânsito, na sala de espera do médico ou até mesmo naqueles minutinhos após o almoço. A leitura proporciona a aquisição de conhecimentos variados, economiza tempo em relação às técnicas de aprendizagem consciente da língua e acelera o conteúdo visto em cursos.
Duas dicas para melhorar sua leitura:
1. Ao encontrar alguma palavra desconhecida ou que esteja sendo empregada com uso diferente daquele com o qual você está acostumado, quando der, vá até o dicionário mais próximo e sane suas dúvidas.

2. Arrisque-se, escrevendo algumas frases simples com a utilização dessa nova palavra ou de seu significado. Quanto mais você a utilizar, mais chances terá de que ela faça, definitivamente, parte de seu vocabulário.

ALGUNS ERROS COMUNS

Conjugação de ir regulares e subjuntivo
Há verbos a que é preciso ficar atento, como: por, compor, propor, poder, trazer, fazer, dizer, querer, ver, vir, ir, ter, manter, conter.
Equivocado
Se eu o ver, darei o recado.
Se ele manter o acordo, teremos ótimos resultados.
Quando eles proporem o valor, nós decidiremos se compraremos o equipamento.
Correto
Se o vir, darei o recado
Se ele mantiver o acordo, teremos ótimos resultados.
Quando eles propuserem o valor, nós decidiremos se compraremos o equipamento.

Concordância complexa
Há dificuldade quando se concorda o sujeito com o verbo em frases invertidas ou em que o sujeito fica distante do verbo
Equivocado
Aconteceu muitos casos de reclamação de clientes.
Segue os documentos necessários para o cadastro.
Os produtos da empresa não contém prazo de validade.
Foi feito várias propostas.
Ocorreu nos meses de agosto e setembro sérias crises econômicas.
Vai aparecer mais candidatos à vaga.
Fica estabelecido as seguintes alterações.
Correto
Aconteceram muitos casos de reclamação de clientes.
Seguem os documentos necessários para o cadastro.
Os produtos da empresa não contêm prazo de validade.
Foram feitas várias propostas.
Ocorreram nos meses de agosto e setembro sérias crises econômicas.
Vão aparecer mais candidatos à vaga.
Ficam estabelecidas as seguintes alterações.

Repetição de palavras, falta de clareza
Quando a pessoa tem um vocabulário limitado, tenderá a repetir palavras; por isso, é importante reler o que se escreve e trocar o termo por sinônimos.

Tropeços de pontuação
Há alguns erros que são mais graves e exigem cuidado redobrado

Problema
separar o sujeito do verbo com vírgula
Separar o verbo dos objetos direto e indireto com vírgula
Frases longas e com pouca pontuação

Exemplo com equívoco
foram apresentadas na última reunião, duas soluções para este problema.
Nós obedecemos incondicionalmente, ao código de conduta da empresa.
A timidez ao falar inglês é caracterizada por um bloqueio que impede que informações sejam expressas principalmente em um grupo de pessoas ou de estudos, ela funciona como um sinal de autocrítica elevada que atua como um filtro capaz de avaliar se nossas atitudes estão de acordo com nossos valores. É preciso deixar claro que não há problema algum em ser introvertido! O problema da timidez só existe quando passa a ser um fator limitante de sua comunicação pessoal ou corporativa.

Correção
"Foram apresentadas, na última reunião, duas soluções para este problema". Ou: "Foram apresentadas na última reunião duas soluções para este problema."

"Nós obedecemos, incondicionalmente, ao código de conduta da empresa." Ou: "Nós obedecemos incondicionalmente ao código de conduta da empresa."

A timidez ao falar inglês é caracterizada por um bloqueio que impede que informações sejam expressas, principalmente em um grupo de pessoas ou de estudos. Ela funciona como um sinal de autocrítica elevada, que atua como um filtro, capaz de avaliar se nossas atitudes estão de acordo com nossos valores. É preciso deixar claro que não há problema algum em ser introvertido! 
O problema da timidez só existe quando passa a ser um fator limitante de sua comunicação pessoal ou corporativa.


Adaptação do texto escrito por :Lígia Velozo Crispino Professora de português e uma das proprietárias da Companhia de Idiomas, empresa especializada em tradução, consultoria e ensino de idiomas em São Paulo

sábado, 11 de setembro de 2010

Por que, porque, por quê ou porquê?

Vários alunos me perguntaram qual a diferença do uso dos diversos "porques" .
Aí vai a explicação de quando e como usar.


O uso correto segundo a gramática

Por que (separado, sem acento)
Utiliza-se nas interrogativas, sejam diretas ou indiretas. É um advérbio interrogativo. Exemplos:

Por que ele foi embora? (interrogativa direta)
Queremos saber por que ele foi embora. (interrogativa indireta)

Dica: Coloque a palavra "motivo" ou "razão" depois de "por que". Se der certo, escreva separado, sem acento.
Queremos saber por que motivo ele foi embora.

Por que pode também equivaler a pelo qual, pela qual pelos quais, pelas quais, sendo o que, nesse caso, um pronome relativo. Exemplo:

Aquele é o quadro por que ela se apaixonou.

Dica: Substitua por que por "pelo qual, pelos quais, pela qual ou pelas quais":
Aquele é o quadro pelo qual ela se apaixonou.


Porque (junto, sem acento)
Estabelece uma causa. É uma conjunção subordinativa causal, ou coordenativa explicativa. Exemplos:

Ele foi embora porque cansou daqui.
Não vá porque você é útil aqui.

Dica: Substitua porque por "pois".
Ele foi embora pois se cansou daqui.

Também utiliza-se porque com o sentido de "para que", introduzindo uma finalidade:
Ele mentiu porque o deixassem sossegado.

Por quê (separado, com acento)
Em final de frase ou quando a expressão estiver isolada, usa-se por quê. Exemplos:

Ele foi embora por quê?
Você é a favor ou contra? Por quê?

Porquê (junto, com acento)
Equivalendo a causa, motivo, razão, porquê é um substantivo. Neste caso ele é precedido pelo artigo o. Exemplo:

Não quero saber o porquê de sua recusa.

Dica: Substitua "porquê" por "motivo".
Não quero saber o motivo de sua recusa.


fonte: http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1693u35.jhtm

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Dicas de português. Verbos difíceis!!!!!!

Encontrei esse artigo na Internet e me pareceu muito bom para vocês poderem reforçar um pouco mais os verbos mais difíceis por serem muito parecidos!!!!!!!!!!!
Então, mãos à obra! Leiam!

Ter, pôr, vir e ver

por DÍLSON CATARINO* especial para o Fovest Online

Muitos são os verbos que trazem dificuldades ao cidadão comum; certamente você já enfrentou problemas com eles ao falar ou ao escrever uma frase qualquer. Os verbos ter, pôr, vir e ver são alguns deles, e será sobre eles a nossa coluna da semana. Vamos a eles:

A primeira dificuldade, em relação aos verbos ter, ver e vir, é a acentuação. Como se escrevem? Com um e só? Com dois ee? Com acento agudo? Ou circunflexo?

Os verbos ter e vir serão escritos com um "e" só e com acento circunflexo (^) quando o elemento que tem algo ou que vem a algum lugar ou de algum lugar (o sujeito) estiver na terceira pessoa do plural (eles, elas, vocês...) do presente do indicativo (Todos os dias...). Teremos, então, frases como "Todos os dias eles têm que estudar"; "Elas vêm até aqui para conversar"; "Vocês têm coragem?". Se o sujeito estiver no singular, não haverá acento algum: "Todos os dias ele tem de estudar"; "Ela vem até aqui para conversar"; "Você tem coragem?".

Os derivados desses dois verbos (manter, conter, deter, reter, intervir, provir, convir...) receberão acento agudo quando o sujeito for a segunda pessoa do singular (tu) ou a terceira pessoa do singular (ele, ela, você...) e receberão acento circunflexo quando o sujeito estiver na terceira pessoa do plural (eles, elas, vocês...). Teremos, então, frases como "O deputado diz que mantém sua palavra"; "Essas caixas provêm dos Estados Unidos"; "Tu deténs teus ímpetos?". Já o verbo ver e seus derivados serão escritos com dois ee, com acento circunflexo no primeiro deles, quando o sujeito estiver na terceira pessoa do plural do presente do indicativo. Teremos, então, frases como "Os meninos vêem os jogos da seleção sempre"; "Alguns homens dizem que prevêem o futuro". Se o sujeito estiver no singular, esses verbos serão escritos com um "e" só e com acento circunflexo. Teremos, então, frses como "O menino vê os jogos da seleção sempre"; "Aquele homem diz que prevê o futuro".

A segunda dificuldade, em relação aos verbos ter, pôr, vir e ver, é a conjugação deles em certos tempos e modos. O certo é "quando eu pôr" ou "quando eu puser"? "Se eu vir ao colégio" ou "Se eu vier ao colégio?"

O tempo verbal denominado pretérito imperfeito do subjuntivo indica hipótese, condição, é iniciado pela conjunção "se" ou pela conjunção "caso", é caracterizado pela desinência "sse" e geralmente acompanhado de outro verbo no futuro do pretérito do indicativo, tempo caracterizado pela desinência "ria": "Se eu estudasse mais, conseguiria melhores notas"; "Caso estudássemos mais, conseguiríamos melhores notas".

O tempo verbal denominado futuro do subjuntivo indica possibilidade futura, é iniciado pela conjunção "quando" ou pela conjunção "se", é caracterizado pela desinência "ar", "er" ou "ir" e geralmente acompanhado de outro verbo no futuro do presente do indicativo: "Se eu estudar mais, conseguirei melhores notas"; "Quando estudarmos mais, conseguiremos melhores notas".

Esses dois tempos verbais são formados a partir de outro tempo denominado pretérito perfeito do indicativo, que indica ação ocorrida no passado em determinado momento: "Ontem eu conversei com a Giovana". A terceira pessoa do plural desse tempo é caracterizada pela desinência "ram": "Ontem eles conversaram com a Giovana". Se retiramos as duas últimas letras dessa desinência ("a" e "m"), formaremos a base para o futuro do subjuntivo. Se retirarmos também a letra "r" e acrescentarmos a desinência "sse", formaremos a base para o pretérito imperfeito do subjuntivo. Vejamos, então: "Ontem eles conversaram" é o verbo conversar no pretérito perfeito do indicativo; "Quando ele conversar", no futuro do subjuntivo; "Se ele conversasse", no pretérito imperfeito do subjuntivo.

Agora analisemos os verbos apresentados como problemáticos - ter, pôr, vir e ver: Ontem eles tiveram, eles puseram, eles vieram e eles viram = pretérito perfeito do indicativo; Se ele tiver, se ele puser, se ele vier, se ele vir ("vir", do verbo ver) = futuro do subjuntivo; se ele tivesse, se ele pusesse, se ele viesse, se ele visse = pretérito imperfeito do subjuntivo. O mesmo acontece com os derivados desses verbos: Se eu mantivesse, se eu detivesse, se eu propusesse, se eu compusesse, se eu interviesse, se eu proviesse, se eu previsse, se eu antevisse, quando eu detiver, quando eu retiver, quando eu intervier, quando eu provier, quando eu previr, quando eu antevir.

A terceira dificuldade, em relação a ver e vir, também é referente à conjugação, mas agora o problema são palavras semelhantes: vir, vimos...

"Vir" tanto pode ser o infinitivo do verbo vir quanto o futuro do subjuntivo do verbo ver: "Se você o vir (verbo ver), diga-lhe para vir (verbo vir) até aqui. O mesmo se sucede com todas as pessoas: "Se vocês os virem, digam-lhes para virem até aqui".

"Vimos" tanto pode ser a primeira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo vir quanto a primeira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo do verbo ver: "Nós vimos aqui agora porque ontem nós vimos o que aconteceu com você".

É isso aí. Qualquer hora voltaremos a discutir mais verbos.

Até mais ver.

*DILSON CATARINO
é professor de língua portuguesa e poeta. Ele leciona em Londrina (PR).


domingo, 17 de maio de 2009

Palavras e locuções denotativas

Palavras e locuções denotativas


As palavras denotativas frequentemente ocorrem em frases e textos diretamente envolvidos com as estratégias argumentativas. Por esta razão, fique atento para o papel de palavras como até, aliás, também, etc. e para os efeitos de sentido que produzem nas situações efetivas de interlocução. Podem se difíceis de classificar, mas isso não impede que sejam importantes e necessárias.

São palavras que, embora, em alguns aspectos (ser invariável, por exemplo), assemelhem-se a advérbios, não possuem, segundo a Nomenclatura Gramatical Brasileira, classificação especial. Do ponto de vista sintático, são expletivas, isto é, não assumem nenhuma função; do ponto de vista morfológico, são invariáveis (muitas delas vindas de outras classes gramaticais); do ponto de vista, semântico são inegavelmente importantes no contexto em que se encontram (daí seu nome). Classificam-se em função da idéia que expressam:

De acordo com a Nomenclatura Gramatical Brasileira há dez classes de palavras.Substantivo, artigo, adjetivo, numeral, pronome, verbo, adverbio, preposição, conjunção, interjeição. Há palavras e locuções que não se enquadram em nenhuma das classes. São as palavras ou locuções denotativas que têm natureza afetiva, subjetiva.

Adição

além disso É uma moça bonita e, além disso, simpática

ainda por cima Cheguei atrasado ao serviço e ainda por cima, esqueci os óculos

ainda Ele não é bom funcionário e ainda quer aumento

Adversidade

mesmo Mesmo doente foi ao trabalho

assim mesmo Ele estava muito cansado, assim mesmo foi a reunião

Afastamento

embora Ela foi embora sem dizer adeus.
Afetividade
ainda bem, Ainda bem que tudo terminou como eu queria!
felizmente, infelizmente Infelizmente o Dr. Silva não poderá atendê-lo hoje

Afirmação

sim Sim, vou a festa, mesmo sem vontade.

com certeza Com certeza você já tomou todas as providencias

sem dúvida Sem dúvida, ela é ótima escritora

pois não -Pode me fazer um favor

- Pois não!

Aproximação

quase Quase cheguei tarde a reunião

praticamente O menino praticamente não almoçou

lá pelas Estarei em casa lá pelas 4h

bem A casa fica bem uns 20 km daqui

aproximadamente Chegarei aproximadamente às 9h.

cerca Ele pesa cerca de 70 kg.

por volta de Estarei em sua casa por volta de 4 h.

Coincidência

justamente Começou a chover, justamente no momento que eu saía

por cúmulo Perdi o ônibus e, por cúmulo, o táxi também

Continuação

bem Bem, o que você quer que eu faça

ora Ora, não me incomode!

Designação:

eis Eis nosso carro novo.

Distribuição

a principio A princípio tudo correu muito bem. Depois, não.

em seguida Cheguei ao centro; em seguida, começou a chover

primeiro, segundo Primeiro vamos estudar, depois ouvir musica

depois Depois do trabalho vamos ao cinema

Exclusão

apenas Apenas lhe dei o livro

sequer Ele nem sequer me cumprimentou

exceto Todos foram passear, exceto os que tinham que estudar.

Explicação

por exemplo Os tem o som de z entre duas vogais; por exemplo:casa.

a saber Visitamos várias cidades, a saber: Santos, Guarujá, São Vicente.

quer dizer Gosto muito do açúcar no café, quer dizer, café bem doce.

Frequência

sempre É sempre a mesma coisa. Você não estuda nada.

toda a hora Ele é muito inseguro. Telefona toda a hora para saber o que eu acho do trabalho.

Inclusão

também Quem veio à festa Pedro, Maria e também meus avós.

até Até meus avós vieram à festa

mesmo Mesmo meus avós vieram à festa.

inclusive Muitos parentes vieram à festa, inclusive meus avós.

Negação

qual nada Você iria ao passeio outra vez! Qual nada!

que esperança Você iria ao passeio outra vez! Que esperança!

qual o quê Ela lhe telefonou como prometera_ Qual o quê!

absolutamente Absolutamente, não irei ao passeio.

pois sim! -Você pode me emprestar R$ 20.000,00

- Pois sim!
Não adianta de nada serve

Precisão

em ponto Cheguei às oito em ponto

precisamente O avião decolou precisamente às 19 h.

Realce

é que Eu é que sei o que tenho sofrido

sei lá Sei o que lhe pareceu!

mas é Estou preocupada mas é com sua saúde

Olha que coisa séria

Restrição

em parte Não concordo, em parte com você

em termos Gosto do meu trabalho em termos

relativamente A monografia está relativamente bem estruturada

Retificação

aliás É uma pessoa muito linda, aliás muito culta

isto é Ele é um bom profissional, isto é honesto.

ou melhor Vamos viajar nos próximos dias, ou melhor, depois de amanhã.

ou antes Quero comprar uns livros, ou antes, o que você me recomendou

Seleção

principalmente Gosto de ler, principalmente romance policial

mormente Gosto de café preto, mormente expresso

sobretudo A música brasileira é bonita, sobretudo a bossa nova.

Situação

mas Mas o que é que esta acontecendo

então Então, tudo bem com você

mas se Mas se ela não vier à festa, o que faremos

em suma Em suma, não vou fazer o que você me pede.


Adição: ainda, além disso, etc.

Por exemplo:
Comeu tudo e
ainda repetiu.

Afastamento: embora

Por exemplo: Foi embora daqui.

Afetividade: ainda bem, felizmente, infelizmente

Por exemplo:
Ainda bem que passei de ano

Aproximação: , etc.

Por exemplo:
Ela
quase revelou o segredo.

Designação: eis

Por exemplo:

    Eis nosso carro novo.

Exclusão: apesar, somente, só, salvo, unicamente, exclusive, exceto, senão, sequer, apenas, etc.

Por exemplo:
Não me descontou
sequer um real.

Explicação: isto é, por exemplo, a saber, etc.

Por exemplo:
Li vários livros, a saber, os clássicos.

Inclusão: até, ainda, além disso, também, inclusive, etc.

Por exemplo:
Eu
também vou viajar.

Limitação: só, somente, unicamente, apenas, etc.

Por exemplo:
ele veio à festa.

Realce: é que, cá, lá, não, mas, é porque, etc.

Por exemplo:
E você
sabe essa questão?
O que
não diria essa senhora se soubesse que já fui famoso.

Retificação: aliás, isto é, ou melhor, ou antes, etc.

Por exemplo:
Somos três, ou melhor, quatro.

Situação: então, mas, se, agora, afinal, etc.

Por exemplo:
Mas quem foi que fez isso?